Contraceção de emergência: O que é? Como deve ser utilizada?

Segundo um estudo publicado em 2015

Relativo ás práticas contracetivas das mulheres em Portugal. Da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e da Sociedade Portuguesa de Contraceção, 88% das mulheres sexualmente ativas conhece a pílula de emergência e 17% afirma já ter utilizado.

A contraceção de emergência destina-se a mulheres em idade fértil que desejem evitar uma gravidez não planeada. Por vezes ocorrem relações sexuais sem proteção ou em que houve falha do método contracetivo usado. Existem ainda situações em que a toma de outros medicamentos pode diminuir a eficácia da pílula que toma regularmente. Nestes casos, existe uma última opção que permite prevenir uma gravidez não planeada: a contraceção de emergência.

A pílula do dia seguinte.

Atua inibindo ou atrasando a ovulação, evitando, desta forma, o encontro entre o óvulo e os espermatozoides. Tendo em conta este mecanismo de ação, se a ovulação já ocorreu ou for ocorrer nas 24 horas imediatas após a relação sexual não protegida, nenhuma pílula do dia seguinte poderá ajudar, pelo que este método não é eficaz a 100%. Contudo, a eficácia é ainda assim bastante elevada e está relacionada intimamente com o tempo que decorre entre a relação sexual não protegida e a toma, daí a importância de a fazer o mais depressa possível.

A contraceção de emergência hormonal.

É de toma única e deverá ser tomada no caso de conter a substância levonorgestrel até 72horas (3 dias) após a relação sexual de risco, no caso de conter acetato de ulipristal deverá ser utilizada até 120 horas (5 dias) após a relação sexual de risco

É importante realçar que no nosso país, a principal razão para a gravidez não desejada é o uso inadequado de contraceção. De facto, o estudo de 2015 identificou que mais de 30% das gravidezes não planeadas aconteceram quando as mulheres estavam a utilizar métodos contracetivos eficazes, mas em que houve uma fraca adesão à sua utilização. Por exemplo, nas mulheres que tomam a pílula, 22% admitem que se esquecem de a tomar todos os ciclos ou mais de uma vez por mês, não tendo no entanto tomado qualquer tipo de precaução adicional ou falado desse esquecimento com o médico ou com o farmacêutico, o que revela dificuldade em reconhecer a existência de risco de gravidez.

Sabemos, ainda, que a sexualidade e a contraceção não são temas sobre os quais se fale com o à vontade desejável. Deixando lugar à propagação de mitos, os quais é urgente combater.

Alguns exemplos:
  1. A contraceção oral de emergência é uma “bomba hormonal” que vai desregular os meus ciclos.

As hormonas contidas na contraceção de emergência podem alterar a sua menstruação no ciclo em que as toma. Assim, após a toma, o seu próximo período pode sofrer algumas alterações. Depois disso, o seu ciclo regressa ao seu padrão regular.

  1. Não posso tomar contraceção oral de emergência duas vezes no mesmo ciclo.

É possível tomar contraceção de emergência duas vezes no mesmo ciclo desde que a mulher não esteja já grávida. Mas é muito mais seguro pensar num método contracetivo regular, porque estes são muito mais eficazes.

  1. A contraceção oral de emergência irá ter um efeito negativo na minha fertilidade.

A contraceção de emergência não tem efeito na fertilidade futura. Se quiser voltar a ter relações sexuais após utilizar a toma da pílula do dia seguinte. Utilize um método contracetivo de barreira (preservativo) até ao próximo período.

Se ficou com dúvidas, aconselhe-se junto do seu médico ou farmacêutico.

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